CARMENS TOPO
Magaldi
casa da linguiça
sheik
Polícia Civil

AVIÕES DE EMPRESÁRIO DESAPARECIDO PODEM TER SIDO VENDIDOS PARA O TRÁFICO

A polícia gaúcha suspeita que a vítima tenha sido assassinada, e que as aeronaves foram vendidas ao tráfico de drogas por um funcionário

10/10/2019 13h30Atualizado há 1 semana
Por: Fabrício Vieira
103
Suspeito de cometer o crime vendeu cinco aviões e três veículos de luxo pertencentes à vítima
Suspeito de cometer o crime vendeu cinco aviões e três veículos de luxo pertencentes à vítima

A polícia acredita que o empresário Celso Tonon, de 58 anos, tenha sido assassinado, e o suspeito é um homem de 29 anos, que alega ser funcionário de Celso.

De acordo com o suspeito, o empresário saiu de casa no dia 7 de junho em Sapiranga, região metropolitana de Porto Alegre, para consertar uma aeronave, e nunca mais apareceu.

A Polícia Civil considera esclarecido o rumoroso sumiço de um empresário do ramo da aviação, radicado em Sapiranga e que não é visto desde 7 de junho. O desaparecido, Celso Tonon, 58 anos, foi sequestrado e morto por um grupo de golpistas, asseguram os policiais civis responsáveis pela investigação. O suspeito de arquitetar o crime, um mecânico de 29 anos natural de Minas Gerais, está preso desde julho, mas só agora o caso é considerado esclarecido, após perícias nos celulares apreendidos com ele e recuperação de alguns bens tomados da vítima.

Celso Tonon é um dos fundadores do antigo Aeroclube de Sapiranga, hoje desativado por não renovação de licenças federais. Possui oito aviões num hangar que ele próprio construiu, além de uma pista de pouso e decolagem, situados a cerca de três quilômetros do centro da cidade, no distrito de Porto Palmeira. Ele já foi casado, mas não tem filhos e vivia isolado na sua propriedade. Isso até o aparecimento do mecânico mineiro de 29 anos, que virou seu amigo e o ajudava a consertar as aeronaves. Foi em 8 de junho que alguns vizinhos comunicaram à Polícia Civil o sumiço do empresário.

 

Com o passar dos dias, as suspeitas sobre o sumiço passaram a recair 

sobre esse rapaz mineiro, porque ele começou a vender aviões e veículos que pertencem a Tonon - indício de roubo. 

O suspeito (a Polícia não libera o nome porque está em busca de coautores do crime) vendeu cinco aeronaves, três Mercedes-Benz e dois carros populares, em pouco tempo, por preço bem abaixo do de mercado.

Ao investigar o suspeito nas redes sociais e círculos ligados à aviação, foram identificados diversos anúncios comerciais efetuados por ele para vender aeronaves, motores e peças diversas, todos pertencentes a Celso Tonon. Os policiais ouviram testemunhas que confirmaram terem sido sondadas por ele sobre a possibilidade de serem contratadas para executar Tonon. O pagamento viria com parte do patrimônio da vítima. Como nenhum morador local aceitou, o mecânico teria buscado pessoas de fora do Estado, que vieram a Sapiranga, mostraram interesse nos aviões e o levaram para longe do aeroclube, efetuando a execução.

— Com base nesse somatório de indícios, conseguimos a prisão temporária do suspeito por 30 dias, que foi transformada em prisão preventiva. Hoje ele está recolhido por latrocínio (crime hediondo) numa penitenciária em Charqueadas — relata o inspetor Carlos Medeiros, chefe de investigações da delegacia da Polícia Civil de Sapiranga.

Embora não tenham encontrado o corpo, os policiais consideram Tonon morto porque o celular apreendido com o mecânico continha diversas mensagens de WhatsApp nas quais ele fala da morte do empresário - algo que, em depoimentos, o suspeito jamais assumiu saber e que oficialmente não estava constatada.

Em uma das mensagens, datada de 7 de junho, enviada a uma mulher da Argentina, ele se refere ao que, no entender da polícia, é indício de assassinato de Tonon. O mecânico coloca o desenho de um caixão no Whats e escreve: "Sabe o que, aquele pessoal vai fazer o véio...hoje. E eu não tô com dó nenhuma. Tô torcendo para isso acontecer pq eu ajeito minha vida...Falaram que iriam vir hoje à noite. Só para eu não ficar perto".

Em mensagem para outra pessoa, o mecânico fala que Tonon morreu e dá outra versão.

"Então faleceu e eu fiquei responsável por tudo. Ou seja, herdei tudo aqui, pois ele não tinha filhos e a ex-mulher não liga. Ele tinha câncer. Sabe uma coisa? A vida dá voltas...Uns tempos atrás eu fui chamado de pobre e muita coisa que você já sabe...De bens materiais, tô rico".

O interlocutor pergunta:

"Mas e os filhos?"

O suspeito responde:

"Ele não tinha herdeiros".

No período coincidente com as mensagens começaram as vendas de aeronaves e motores de aviões. O inquérito comprova que o homem também negociou e vendeu carros, caminhões e até mesmo um ônibus (motor home) que Tonon utilizava como residência. Para driblar a questão documental que cercava esses bens, o suspeito redigia notas de doação, dizendo que aquele veículo seria doado como sucata para determinada pessoa.

O próximo passo, diz o delegado Clóvis Nei da Silva (substituto em Sapiranga), é convencer o mecânico a dizer onde está o corpo da vítima. Os policiais civis conseguiram recuperar as Mercedes-Benz e parte das peças de aviões, como motores. Os agentes localizaram os aviões, mas quem adquiriu esses bens, em tese, pode alegar ser comprador de boa fé para  evitar processo criminal. Os policiais pedem que qualquer informação sobre o paradeiro de Tonon seja comunicada pelo telefone (51) 99908-2057.

Também foram identificados anúncios do suspeito nas redes sociais, onde ele oferecia aeronaves e carros antigos importados. Quatro pessoas foram indiciadas por comprar os bens do empresário.

De acordo com a polícia, há indícios de que Celso foi executado e teve o corpo queimado em outro estado, a investigação agora pretende descobrir se outras pessoas participaram do crime.  

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.