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Cinema

'Coringa' revela origens do vilão no cenário de Gotham

Aguardado filme estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros

03/10/2019 13h33Atualizado há 2 semanas
Por: Fabrício Vieira
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Todd Phillips é quem interpreta o vilão no filme | Foto: Warner Bros.
Todd Phillips é quem interpreta o vilão no filme | Foto: Warner Bros.

Depois de ganhar o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza 2019, chega hoje aos cinemas a esperada estreia de “Coringa”, de Todd Phillips. Com Joaquin Phoenix no papel do vilão do universo de Batman, o filme conta a origem do personagem sombrio e sua entrada para o mundo do crime. A trama é envolvente e reveladora.

Na produção, o jovem Arthur Fleck (Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido a problemas mentais que se revelam em seu dia a dia. Com elementos que remetem ao início dos anos 1980, quando se passa a trama, o bullying é um gatilho para o rapaz.

Em muitos momentos do filme isso se torna intenso e vai construindo a narrativa de rejeição e frustração do personagem. Depois de demitido, ele reage mal a uma gozação e responde violentamente. Aí é quando o enredo vai do drama psicológico ao thriller de violência. No contexto, ocorre uma espécie de movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante. Até aí o Batman ainda não havia surgido, mas aquele que seria seu principal rival, vilão insano, já estava tomando forma, em sua psicologia e em seu comportamento. 

Sem leis

O Coringa de Phillips mostra uma aventura ainda mais sombria do psicopata, em uma Gotham City abandonada, sem regras, limites ou leis. No elenco, brilham as atuações de Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Shea Whigham, Bill Camp e Douglas Hodge. Em quase 80 anos de existência, Coringa já ganhou interpretações lendárias no cinema e na televisão. Seu rosto já foi forjado no talento de atores renomados como Jack Nicholson, Heath Ledger (que morreu em 2008, depois de atuar em “O Cavaleiro das Trevas”) e Jared Letto. A história original e fictícia colocada na tela por Phillips vem acompanhada de uma trilha sonora impactante, que consolida a criação narrativa do vilão.

Polêmica

Mesmo antes de ser lançado, “Coringa” recebeu inúmeros elogios de parte importante da crítica. Também antes de sua estreia nos EUA (que acontece nesta sexta-feira), o filme tem gerado controvérsia por, na opinião de alguns, “premiar e justificar a violência”, que preocupa o país. Os críticos têm manifestado suas preocupações: a produção poderia inspirar jovens a cometer os mesmos atos retratados na tela.

A Warner Bros., que é dona de todo o catálogo da DC Comics (que inclui nomes como Super-Homem, Batman e Mulher Maravilha), tem respondido que “a violência armada é um problema crítico em nossa sociedade e acreditamos que uma das funções da narrativa de histórias é estimular conversas difíceis sobre questões complexas. Não se enganem: nem o personagem Coringa nem o filme apoiam qualquer tipo de violência no mundo real”.

Polêmicas à parte, e cinematograficamente falando, trata-se de uma produção que marcará a história da Sétima Arte com suas aproximações aos temas mais atuais, como os abusos (psicológicos e físicos) e a busca de cada um pelo seu espaço no mundo que nos cerca.

Joaquin Phoenix emagreceu 23 quilos para interpretar Coringa, diz diretor

Coringa ganhou seu primeiro trailer na quarta-feira. No mesmo dia o Los Angeles Times publicou uma entrevista em que Todd Phillips, diretor do filme, fala sobre a preparação do personagem. Segundo o cineasta, Joaquin Phoenix emagreceu 23 quilos para dar vida ao vilão. 

Todd afirmou que a ideia foi fazer um filme de quadrinhos de uma maneira diferente. "Todos nós crescemos com os estudos de personagens, e eles são poucos e distantes dos dias de hoje. Então foi como, 'vamos mergulhar fundo em um desses caras de maneira real'. "Ninguém vai voar nele (no filme). Nenhum edifício vai entrar em colapso. Só vai estar no chão", disse. 

Dar uma perspectiva mais realista para uma história de quadrinhos era uma das prioridades do diretor. "Queríamos ver tudo através de uma lente o mais real e autêntica possível. Não acredito que, no mundo real, se você caísse em uma cuba de ácido, ficasse branco e tivesse um sorriso, e seu cabelo seria verde. Então você começa a engenharia reversa dessas coisas e isso se torna realmente interessante", explicou.  

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