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Esquema de Desvio

Polícia Civil investiga desvio milionário na Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do RS

Polícia calcula que mais de R$ 10 milhões foram desviados. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências e na sede da FCDL.

02/12/2019 11h44Atualizado há 4 dias
Por: Fabrício Vieira
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A Polícia Civil realizou uma operação na manhã desta sexta-feira (29) para investigar um desvio milionário na Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL).

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa do presidente da federação, Vitor Koch, em Três Coroas, nas residências de dois funcionários da entidade, e na sede da FCDL, no Centro de Porto Alegre.

Em nota, a federação afirma que "não há nenhuma irregularidade ou quaisquer desvios de recursos no âmbito da entidade" e aponta que "a operação policial ocorrida nesta data tem forte cunho político". A FCDL garante, também, que está à disposição das autoridades para esclarecimentos. Confira a nota na íntegra no fim da matéria.

"Na verdade, no fim do ano passado, dirigentes procuraram autoridades denunciando uma série de irregularidades, desvios e crimes praticados pelo presidente da entidade em conluio com empresários e outros servidores da federação", afirma o delegado.

Segundo as investigação, um esquema montado pelo presidente da FCDL desviava dinheiro da entidade, usando empresas de um prestador de serviços, além de contas bancárias usadas para lavar dinheiro da federação.

 

"Não temos dúvidas que se nós somarmos centavo por centavo, o prejuízo chegou a mais de R$ 10 milhões. Uma vez que os desvios ocorrem há mais de uma década, acreditamos que desde que esse senhor, o presidente, assumiu a FCDL", relata o delegado.

 

Conforme Ferreira, o presidente e mais quatro pessoas serão indiciadas pelos crimes de estelionato, organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e falsidade documental.

Polícia apreendeu computadores e documentos na sede da entidade 

Compras superfaturadas

 

Entre as denúncias estão compras superfaturadas. Produtos que poderiam ser adquiridos em Porto Alegre, onde fica a sede da FCDL, foram comprados em uma loja em Três Coroas. A loja pertence ao presidente da entidade, conforme denúncia do Ministério Público.

Também há valores encaminhados para três empresas, que prestavam serviços para a FDCL: uma empresa de propaganda, uma gráfica e uma empresa de vinhos. Todas do mesmo proprietário e que funcionavam no mesmo local, em um casarão, em Novo Hamburgo, que atualmente não pertence mais ao grupo. O dinheiro era pago para as empresas, mas parte dos valores retornava para o presidente da federação. Notas eram falsificadas para justificar os serviços.

Entre os desvios investigados, está um repasse de mais de R$ 700 mil para compra de vinhos, que deveriam ser utilizados para eventos da entidade. Com esse valor, seria possível comprar mais de 14 mil garrafas e isso serviria 42 mil pessoas. Segundo a denúncia, seriam necessárias 20 convenções com cerca de 2 mil convidados para poder tomar todo esse vinho. Mas não há registros de eventos desse tamanho.

"Na notícia crime, já trouxeram documentos que comprovavam, de forma fidedigna, a prática de pagamento de serviços que não ocorreram, pagamentos de bens que até teriam sido comprados pela federação e não teriam sido entregues, ou seja, tudo simulado para enriquecimento ilícito por parte do próprio presidente e dos demais envolvidos", explica o delegado.

Um homem, gravado pela polícia e que não vai ter a identidade revelada, fez uma colaboração premiada. As empresas dele eram usadas para lavar dinheiro da presidência da FCDL. Ele conta que, no início, o repasse era de 25% do que ganhava, mas que depois os valores foram aumentando.

O dinheiro não era depositado em contas, sempre era sacado na boca do caixa e entregue em mãos.

"Quando eu recebia a fatura, eu entregava para ele. Quando eu recebia a cobrança da FCDL, eu entregava para ele. Sempre em espécie", conta a testemunha.

Polícia faz operação na sede da FCDL — Foto: Divulgação/Polícia Civil

A FCDL emitiu uma nota na tarde desta sexta-feira. Confira na íntegra:

A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul – FCDL-RS, em razão dos fatos noticiados nesta manhã, em especial da operação da Polícia Civil deflagrada em relação à entidade e seu presidente, vêm a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1º) As denúncias que ensejaram a operação policial ocorrida nesta data tem forte cunho político, conforme atestam as diversas atas de reuniões no âmbito interno da entidade, da sua diretoria, do Conselho Fiscal e assembleias, assim como ações judiciais ajuizadas e ocorrência policial registrada pelo presidente da Federação denunciando tentativa de extorsão, praticada por um dos denunciantes, diretor da entidade.

2º) A Federação informa também que não há nenhuma irregularidade ou quaisquer desvios de recursos no âmbito da Entidade, cujas contas foram aprovadas sem ressalvas pelo Conselho Fiscal, pela auditoria independente, pela contabilidade e pelas assembleias, das quais participaram os próprios denunciantes.

3º) A situação em que se vê envolvida a FCDL-RS decorre de um embate político instaurado por aqueles que perderam o último pleito eleitoral, aliados a membros opositores da atual diretoria.

4) A FCDL-RS está em contato com as autoridades para tomar conhecimento dos fatos e do teor do inquérito policial para que possa prestar maiores esclarecimentos ao Movimento Lojista e para a sociedade gaúcha.

5) A Entidade se coloca à inteira disposição da Polícia Civil, do Ministério Público, do Poder Judiciário, bem como de seus associados, para prestar todos os esclarecimentos que se fizerem necessários.

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