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Chile decreta novo toque de recolher após mais protestos em Santiago; atos deixam 7 mortos

Governo mobilizou 10.500 integrantes das Forças Armadas para atuar contra manifestações violentas e saques na capital.

21/10/2019 09h31
Por: Fabrício Vieira
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Autoridades chilenas decretaram neste domingo (20) toque de recolher no Chile pelo segundo dia consecutivo por conta das violentas manifestações e saques que aconteceram por três dias na capital, Santiago. A medida passou a valer a partir das 19h e foi suspensa às 6h segunda-feira (21) como estava previsto.

 

Sete pessoas morreram durante os protestos, segundo o ministro do Interior chileno, Andrés Chadwick. Duas pessoas morreram no incêndio em um supermercado durante a madrugada. Outro incêndio, em uma fábrica na periferia da capital, deixou cinco mortos. Porém, na manhã desta segunda, o jornal "El Mercurio" já falava em 10 mortos.

"Hoje tivemos mais de 70 atos de grave violência, entre eles, mais de 40 saques", disse Chadwick em um pronunciamento.

O presidente Sebastián Piñera disse em um pronunciamento que segunda-feira, primeiro dia útil depois de três jornadas de distúrbios, será "um dia difícil".

 

"Estamos em guerra contra um inimigo poderoso, que está disposto a usar a violência sem limites", declarou.

 

O general Javier Iturriaga, responsável pelo estado de emergência decretado no país, pediu aos chilenos que ficassem em casa durante a noite.

O Ministério Público chileno informou que 1.462 pessoas foram detidas em todo o Chile. Desse total de detenções, 614 ocorreram em Santiago e 848 no restante do país.

Entenda em seis pontos os distúrbios no Chile

 

  1. Governo anunciou um aumento de 30 pesos na tarifa do metrô, equivalente a 20 centavos de real
  2. Violência aumentou nos protestos a partir de sexta (18), após confronto com a polícia
  3. Chile decretou, no sábado, "estado de emergência" e Exército foi às ruas pela 1ª vez desde a ditadura
  4. Presidente chileno suspendeu o aumento na tarifa do metrô, mas os protestos seguiram
  5. Metrô de Santiago fechou e o aeroporto da capital chilena teve voos suspensos
  6. Mais regiões do país tiveram toque de recolher, estado de emergência dura 15 dias e aulas foram canceladas

 

 

Mortes durante protestos

 

O ministro do Interior, Andrés Chadwick, contabilizou sete mortos em um dia de violentos protestos na capital chilena.

Na madrugada de domingo, as autoridades anunciaram dois mortos em incêndio de supermercado no bairro de San Bernardo, ao sul de Santiago. Uma terceira vítima estaria sob acompanhamento médico com 75% do corpo ferido.

À noite, um novo caso: cinco pessoas morreram em incêndio dentro de uma fábrica de roupas. O comandante do corpo de bombeiros, Diego Velásquez, disse em uma transmissão para a TV local que o armazém da tecelagem teria sido alvo de saques no bairro de Renca, periferia de Santiago.

 

Mais saques no domingo

 

Os saques ao comércio se estendem por vários pontos de Santiago. Segundo a agência AFP, os grandes supermercados permanecem fechados e grupos de pessoas forçam a entrada.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram como pessoas, na maioria, jovens, forçaram os acessos a um supermercado da rede Jumbo, e outro da rede Lider, em Peñalolén, levando televisões, roupa e outros acessórios. Situações parecidas aconteceram em outros bairros de Santiago.

Destruição nas ruas da capital

 

Semáforos foram derrubados, há carcaças de ônibus queimados pelas ruas e até mesmo o prédio da empresa responsável pela distribuição elétrica foi atacado em uma Santiago que vive um cenário de destruição, após os protestos iniciados na sexta-feira com o aumento do preço da passagem do metrô.

De acordo com a Enel Chile, o edifício central da companhia teria sido atacado às 22h de sábado e as escadas de emergência foram queimadas por "um grupo de desconhecidos". Havia ao menos 40 funcionários nas dependências que foram evacuados imediatamente, disse em um comunicado.

Apesar do toque de recolher ter sido decretado e da mobilização de 9.500 militares nas ruas, os distúrbios prosseguiram durante a madrugada em Santiago e outras cidades, como Valparaíso e Concepción, que também foram afetadas pela medida que restringe a movimentação.

 

Durante o dia, manifestantes atacaram ônibus e estações do metrô. De acordo com o governo, 78 estações foram atingidas e algumas ficaram completamente destruídas.

As autoridades informaram que 716 pessoas foram detidas nos protestos, os mais violentos desde o retorno da democracia após o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

 

Cidade paralisada

 

Os supermercados e shoppings permaneceram fechados neste domingo e o metrô seguiu paralisado. Relatos dão conta de que quase não circularam ônibus pela cidade.

Os táxis e os carros que são chamados por aplicativos para celulares foram praticamente a única forma de deslocamento na cidade de sete milhões de habitantes. Pela alta procura, as tarifas ficaram muito acima do normal por conta dos preços dinâmicos.

 

"Estamos vivendo elevados níveis de delinquência e saques", afirmou Alberto Espina, ministro da Defesa.

O presidente Sebastián Piñera – que suspendeu no sábado o aumento das passagens do metrô – se reuniu com os ministros neste domingo para abordar a situação.

A Câmara dos Deputados também convocou uma sessão especial no fim de semana para votar o projeto de suspensão do aumento nas tarifas. A votação terminou com 103 votos a favor da suspensão e 1 voto contrário e 1 abstenção.

 

 

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