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Futebol

O PROBLEMA DO INTER NÃO É O VAR

Clube tem plantel para disputar o título, o que carece é de comando técnico e tático

07/10/2019 11h19Atualizado há 2 semanas
Por: Fabrício Vieira
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O problema do Inter não é o VAR
O problema do Inter não é o VAR

Odair atingiu o seu teto, o Inter não. Mas está existindo uma confusão entre os limites do Inter e o Odair, como se fossem iguais. 

O Inter não é o mesmo que emergiu da crise institucional há dois anos, mas o Odair continua o mesmo. Ele está apequenando o clube, fazendo crer que damos tudo o que podemos. Passa a impressão de que não temos condições de liderança porque não há time competitivo. 

Não é verdade que vem tirando leite de pedra. Pelo contrário, vem empedrando o leite. 

O máximo de Odair não é o máximo do Inter. O Inter saiu da Segunda Divisão, a Segunda Divisão não saiu de Odair. 

O Inter tem plantel para disputar o título, o que carece é de comando técnico e tático. 

As substituições de Odair são equivocadas, para defender o empate. Quem defende um ponto fica sem nenhum. Nas últimas três rodadas, o Inter só fez dois pontos. Está em descenso quando todos os seus adversários diretos escalam posições. 

Vigora uma lógica retranqueira de quatro volantes. 

Quando saímos em vantagem, agimos com medo e recuamos. Jamais demonstramos postura de favorito. Toda partida, seja com Palmeiras, na parte de cima da tabela, seja com Cruzeiro, na parte de baixo, revela-se idêntica. Fora ou dentro do Beira-Rio, são suplícios acovardados. Dá pena de torcer. 

Inter não atua bonito, nem convence pela regularidade. 

Ensaia-se a franca queda da zona da Libertadores. 2019 será nulo até para os propósitos de 2020, se não houver mudanças da direção.

Falta-nos ambição, ofensividade, confiança. Guerrero está isolado entre os zagueiros, um mendigo por uma bola ao alto. Se não fosse Lomba, o desastre seria maior.  

Para dar um exemplo da atrofia intelectual, Odair colocaria Bruno Silva no lugar de Nonato, antes do pênalti para o Cruzeiro. 

Perdemos a Copa do Brasil, inacreditavelmente, em casa. Perdemos as quartas da Libertadores, inacreditavelmente, em casa. Desprezamos as vantagens - ou seja, nem jogamos pelo resultado, para justificar o anti-futebol. 

É não é um problema isolado de entrosamento, é um déficit também de preparação física. Há sempre uma enfermaria cheia no colorado.

Sou a favor da continuidade. Mas Tiago Nunes, por sua vez, já acumulou uma Sul-Americana e uma Copa do Brasil no período de mais de dois anos no Athetico. 

Odair teve o seu tempo, teve a nossa paciência, teve o apoio da torcida. Mas ele apenas bate a cabeça na parede. A parede é o Inter. Não existe como avançar sem danos na estrutura. 

Entenda-se que ele não faz por mal: ainda não tem faixa no peito, não sabe mesmo como ganhar.

Fabrício Carpinejar

em 06/09/2019

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