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Estelionato

Vítima fez empréstimo para pagar casa pré-fabricada que nunca recebeu de construtora de Porto Alegre

Moradora de São Sebastião do Caí fechou contrato de R$ 17 mil com a Bella Vista e terá de pagar financiamento até dezembro de 2022

11/09/2019 11h59
Por: Fabrício Vieira
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Nos terrenos de pelo menos 15 pessoas que se dizem vítimas não há moradia. Em alguns casos, só foi feito o alicerce
Nos terrenos de pelo menos 15 pessoas que se dizem vítimas não há moradia. Em alguns casos, só foi feito o alicerce

Pelos próximos três anos e quatro meses, a comerciante Angela Denise Flores da Silva, 54 anos, terá de sacrificar R$ 586 do seu salário para quitar o financiamento que fez para comprar uma casa em São Sebastião do Caí. A moradia de quarto, banheiro, além de sala e cozinha integradas seria para a filha dela, de 28 anos, morar com o genro no município do Vale do Caí. Com o valor até então destinado para o aluguel, o casal quitaria o empréstimo feito pela mãe, cujo total é de R$ 29 mil.

Empresa da Capital é investigada por lesar 14 vítimas que compraram casas, mas não receberam

Pessoas reclamam que a construtora não cumpriu o que foi firmado no contrato. Prejuízo total é de quase R$ 200 mil

O contrato de construção da casa, conta Angela, foi fechado em 16 dezembro de 2018. A moradia custaria R$ 17 mil e só existe no documento. A mulher é uma das 15 pessoas que dizem ter sido vítimas da Construtora Bella Vista, investigada por estelionato pela Polícia Civil. O prejuízo total é de R$ 205,9 mil.

— Não me entregaram nenhum prego. Estou desesperada. É o sonho da minha filha —desabafa.

Ela conta que os responsáveis pela empresa foram até São Sebastião do Caí para fechar o negócio. Altemir Cardoso Lopes, 56 anos, o homem que trabalhava com ele – também investigado pela 15ª Delegacia de Polícia –, Ramon da Cunha Fernandes, 29 anos, e a sua esposa estiveram na casa onde Angela mora. Um funcionário de uma madeireira foi junto. Ele faria a venda dos materiais que seriam usados na construção da moradia. No local, ela pagou o valor total da obra – R$ 17 mil – no débito, direto para a madeireira. Recebeu nota da compra, feita em seu nome.

Mas o material nunca foi levado ao terreno onde seria a casa da filha de Angela. À vítima, os responsáveis pela venda contaram que a entrega foi feita em outros dois endereços. A alegação foi repetida por Ramon em seu depoimento à Polícia Civil no começo da tarde desta terça-feira (10).

Depoimento

Aos investigadores, Ramon contou que conheceu Altemir porque os dois trabalhavam na mesma madeireira. Depois, em 2017, disse que convidou o outro suspeito para ser vendedor na Construtora Bella Vista, empresa que havia aberto dois anos antes. Inicialmente, ele seria o proprietário da construtora com sede na Avenida Bento Gonçalves, no bairro Lomba do Pinheiro, na Capital. Depois, disse à polícia, que os dois inverteram os papéis: Altemir passou a ser o proprietário da empresa, enquanto Ramon faria as vendas.

Ramon contou aos policiais que eles usavam dois CNPJs. No depoimento, disse que os pedidos de materiais de construção, por exemplo, eram feitos com o CNPJ no qual Altemir Cardoso Lopes consta como proprietário. É o mesmo que aparece nos contratos firmados com as vítimas, aos quais a reportagem teve acesso, e cujo endereço cadastrado fica em Viamão. O outro CNPJ tem o nome fantasia de construtora Bella Vista e a sede registrada é a da Avenida Bento Gonçalves, local onde parte das pessoas afirma ter ido para fechar negócio. Neste caso, outro homem é apontado como proprietário com Ramon – ele será ouvido nesta quarta-feira (11).

O problema na entrega das casas, segundo o depoimento do investigado, deu-se por conta de alguns problemas, como a relação com carpinteiros. Ramon disse que os profissionais recebiam pela mão de obra, mas não realizavam o trabalho. Afirmou ainda que há três meses ele e a esposa teriam aberto outra empresa, em Viamão

 Altemir disse que trabalhava para o casal, mas que a construtora precisou fechar as portas recentemente devido às ameaças que recebia.

— O que temos até agora indica que houve fraude. Nos próximos dias, pretendemos ouvir as pessoas apontadas como sócios e os carpinteiros que trabalhavam para eles — explica o delegado Cesar Carrion, da 15ª DP.

O prejuízo causado às vítimas varia de R$ 4,5 mil até R$ 30 mil. Para tentar restituir os valores, a Polícia Civil apura o que os investigados possuem para pedir um possível sequestro de bens.

Tome cuidado

  • Antes de fechar negócio, é importante consultar o Procon para saber se a empresa tem histórico de reclamações. 
  • Pesquisar pelo nome do estabelecimento em sites como Reclame Aqui e procurar as páginas da empresa nas redes sociais podem evitar que seja vítima de golpe. Clientes lesados costumam se manifestar nesses locais. 
  • Não pague integralmente. A orientação é dar uma entrada, e quitar o resto do valor apenas na entrega da casa. 
  • Caso se sinta lesado, procure a Polícia Civil.
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