• Porto Alegre, 13/07/2024
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Em meio à reconstrução, moradores relatam medo de voltar para casa na Zona Norte de Porto Alegre

Muitas casas ficaram vazias após as enchentes e o receio de novos alagamentos faz com que alguns moradores não saibam se irão retornar para o bairro


Em meio à reconstrução, moradores relatam medo de voltar para casa na Zona Norte de Porto Alegre


As águas baixaram, uma grande limpeza avança pela cidade e a população trabalha nas etapas necessárias para a retomada. Em muitos lugares, a vida já começa a voltar ao normal, dentro do que é possível para o momento delicado vivido pelo Estado. Entretanto, para outros, a enchente de maio deixou o receio de que possa voltar a ocorrer.

É isto que acontece na Zona Norte da Capital, especialmente nos bairros Vila Farrapos e Humaitá. As ruas já tiveram esvaziados os entulhos que ficaram acumulados durante semanas, na primeira etapa de limpeza das casas. Há agora, porém, outro vazio que toma conta dos bairros: o das próprias casas, que não voltaram a receber seus proprietários.

Em todos os cantos da Vila Farrapos, a diminuição da presença humana é nítida. Casas com portas e janelas abertas, mas sem nada em seu interior, são vistas por diversas ruas. Isto ocorre pela incerteza de que, se a água algum dia voltar a atingir as moradias, seja necessário recomeçar tudo de novo, mais uma vez.

Na rua Irmã Maria Rosa Trevisan, o aposentado Pedro Simonini, de 72 anos, trabalha de forma voluntária para ajudar os cunhados – ambos também com mais de 70 anos - que estão em um apartamento alugado, até que possam retornar.

Simonini relata este receio dos familiares em retornar e explica que algumas mudanças estruturais já foram realizadas de forma preventiva. “Já estamos tentando adaptar a casa, pensando no futuro. Teremos que tirar as grades e fazer um muro, porque se voltar a alagar, a água vai entrar novamente. Também já foi fechado um portão de garagem que caiu pela força da água”.

O aposentado explica que não são apenas mudanças estruturais que são realizadas. O interior do imóvel também será adaptado. “Aqui a água superou o número da casa (localizado acima dos 2m de altura). Além disso, cada barco que passava, levantava em 20 cm a água. Mas (em caso de nova enchente), não chegará no segundo piso. Por isso, estou projetando móveis que podem ser carregados facilmente para cima”, detalha.

No térreo, estava um quarto, sala, cozinha e área de serviço. Toda a mobília e equipamentos domésticos foram perdidos durante a enchente de maio. A casa havia sido reformada há 12 anos, quando foi construído o segundo andar. “Se ainda fosse somente o térreo, tinham perdido tudo”, acrescenta Simonini.

Conforme o aposentado, boa parte da vizinhança não retornou, assim como o casal de cunhados. “O pessoal tem medo por vários motivos. Primeiro pela questão da insegurança de um dia voltar a acontecer. Em segundo lugar, pela falta de dinheiro para retomar e reconstruir a vida. As pessoas continuam fora de casa. Eles não sabem se voltam, porque, se voltarem para cá e alagar de novo, não terão dinheiro para recomeçar outra vez”, destaca.

Esta é, segundo ele, a realidade da grande maioria dos moradores do bairro. “Eu tenho certeza que 90% das pessoas que moram aqui, não sabem o que vão fazer da vida. Não é fácil”, afirma.

Vivenciar tudo isso diariamente é, para o aposentado, uma situação muito delicada e triste. “Eu que estou vivendo a coisa, vejo como é horrível. Fico andando pela casa dos meus cunhados, onde morou minha sogra, e lembro de como era antes. De noite tenho que tomar remédio para dormir”, conclui.





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