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Polícia

Empresário admite ter lesado clientes ao não entregar casas pré-fabricadas em 10 cidades do RS

Pelo menos 15 pessoas afirmam ter sido vítimas da empresa, cujo nome que constava na fachada era Bella Vista

10/09/2019 11h06
Por: Fabrício Vieira
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Cenira Fagundes Aires, 53 anos, foi uma das vítimas da empresa
Cenira Fagundes Aires, 53 anos, foi uma das vítimas da empresa

Problema na administração foi a justificativa dada pelo dono de empresa que vendia casas pré-fabricadas, mas não as entregava. Altemir Cardoso Lopes, 56 anos, é o proprietário da construtora que até cerca de cinco meses funcionava na Avenida Bento Gonçalves, no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. Pelo menos 15 pessoas de todo o Estado afirmam ter sido vítimas da empresa, cujo nome que constava na fachada era Bella Vista.

Sentado no corredor da 15ª delegacia de polícia da Capital, onde esperava para prestar depoimento, o empresário conversou com a reportagem. Disse que nunca teve a intenção de lesar os compradores, mas admitiu que não cumpriu contratos. Quantas moradias deixou de entregar ele não sabe precisar.

— São muitas. Mas nunca tive a intenção de lesar ninguém. Foi problema  de administração. O que eu quero é trabalhar para concluir as obras — afirma.

Conforme o delegado Cesar Carrion, há contratos de pessoas que fecharam negócio com a empresa em 2017 e, desde então, esperam pelas moradias. As quantias nas quais as vítimas foram lesadas variam de R$ 4,5 mil até R$ 30 mil. Somado, o prejuízo total causado pelos suspeitos é de R$ 205,9 mil.

Segundo Altemir, o dinheiro que ele recebia de um comprador, utilizava para construir casas que já havia sido vendidas:

— E virou uma bola de neve.

Uma das pessoas que procuraram a polícia é Cenira Fagundes Aires, 53 anos, moradora do bairro Cristal, na Capital. Ela pagou R$ 6,4 mil por uma casa em Magistério, no Litoral. O contrato foi fechado em fevereiro deste ano, mas a obra nunca teve início. 

— Ele (Altemir) marcava de ir para Magistério, a gente ia e ele não — desabafa.

No site da Receita Federal, o endereço no qual está cadastrado o CNPJ que aparece nos contratos das vítimas fica em Viamão e não no bairro Lomba do Pinheiro, onde as pessoas garantem ter fechado negócio. Segundo o investigado, o local seria sede de uma madeireira, que ele administrou até 2014. Três anos depois, alega ter usado o mesmo CNPJ para abrir a construtora, ainda que tenha mudado o local da sede e a natureza da atividade.

Além de Altemir, um casal é apontado pelas vítimas como responsáveis pela construtora. Os dois também foram ouvidos nesta segunda (9).  Eles alegam ter se apresentado à 15ª DP depois de ter lido a reportagem.

— Não sou mal intencionado, tanto que vim sem advogado — afirma Altemir. 

 — Entregamos as intimações, nada de espontâneo — alega o delegado Carrion. 

O outro homem ouvido ontem disse que apenas trabalhava na Bella Vista. Já a mulher é proprietária de uma construtora, com sede em outro endereço de Viamão. Ela diz que empregou Altemir depois do fechamento da Bella Vista “para ajudá-lo”. 

A sede da Bella Vista, de acordo com Altemir, foi fechada porque ele não conseguia trabalhar sendo vítima de constantes ameaças:

— Como vou construir as casas se estiver preso? 

Questionado porque não devolve os valores às vítimas, alegou:

— Não temos como pagar — respondeu. 

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